sexta-feira, abril 04, 2008
Pego no telefone.
Pretendo ligar-te para o trabalho, mas engano-me e digito o meu próprio número. Ninguém atende. Pois, confirma-se que de facto não me encontro no local de trabalho. O que seria afinal de esperar, uma vez que estou em casa (a tentar ligar para mim própria, note-se). Conscencializo o absurdo. Desligo. Ligo-te.
(Felizmente, ninguém atendeu o meu telefone, pois nesse caso algum diálogo perfeitamente insólito poderia ter acontecido.)
(Felizmente, ninguém atendeu o meu telefone, pois nesse caso algum diálogo perfeitamente insólito poderia ter acontecido.)
quinta-feira, abril 03, 2008
Evidências
- Tens tanta dificuldade em fazer escolhas!
- Pois tenho.
- Queres ter tudo ao mesmo tempo.
- Pois quero.
- E sempre.
- Verdade.
- Pois tenho.
- Queres ter tudo ao mesmo tempo.
- Pois quero.
- E sempre.
- Verdade.
quarta-feira, abril 02, 2008
Odiamos As luzes que acendem com palminhas
Não é que a gente não goste de poupar. Somos verdes, reciclamos tudo o que é reciclável, e, por isso, luzes que se acendem só quando há pessoas por perto é uma coisa bonita de se ver e muito bem inventada, sim senhor, uma salva de palmas para o inventor.
O que é detestável é quando o sistema é tão ranhoso que basta um cidadão ficar imóvel sinco míseros segundos para mergulhar numa escuridão preta e medonha. Vendo-se assim, ou melhor, deixando de se ver assim, a pessoa é então obrigada a esbracejar para reencontrar a luz. E não bastando o ridículo da situação, às vezes não chega um movimento qualquer. A pessoa no escuro agita os braços uma vez, agita duas, três. E nada. Nervosa, principia então aquilo que, visto ao longe ou fora do enquadramento, pode parecer um estranho ritual. Salta para a frente e para trás, abana a cabeça, levanta o braço esquerdo, depois o direito, e quando dá por ela até a língua está metida no assunto, esticada para fora da boca, agitando-se para dar à luz. Não havia necessidade de sujeitar homens e mulheres com a sua dignidade a isto. Numa retrete pública o caso ganha contornos grotescos. Mas no patamar de um prédio pode ser o fim. Sobretudo quando, de repente, surge o respeitável vizinho de cima e, a sua presença imponente basta para acender as luzes que nenhum dos nossos saltos conseguiu despertar. O olhar que nos deita impossibilita qualquer explicação. Eis como umas estúpidas luzes podem, em segundos, dar cabo de uma imagem que levou anos a construir.
O que é detestável é quando o sistema é tão ranhoso que basta um cidadão ficar imóvel sinco míseros segundos para mergulhar numa escuridão preta e medonha. Vendo-se assim, ou melhor, deixando de se ver assim, a pessoa é então obrigada a esbracejar para reencontrar a luz. E não bastando o ridículo da situação, às vezes não chega um movimento qualquer. A pessoa no escuro agita os braços uma vez, agita duas, três. E nada. Nervosa, principia então aquilo que, visto ao longe ou fora do enquadramento, pode parecer um estranho ritual. Salta para a frente e para trás, abana a cabeça, levanta o braço esquerdo, depois o direito, e quando dá por ela até a língua está metida no assunto, esticada para fora da boca, agitando-se para dar à luz. Não havia necessidade de sujeitar homens e mulheres com a sua dignidade a isto. Numa retrete pública o caso ganha contornos grotescos. Mas no patamar de um prédio pode ser o fim. Sobretudo quando, de repente, surge o respeitável vizinho de cima e, a sua presença imponente basta para acender as luzes que nenhum dos nossos saltos conseguiu despertar. O olhar que nos deita impossibilita qualquer explicação. Eis como umas estúpidas luzes podem, em segundos, dar cabo de uma imagem que levou anos a construir.
Sónia Morais Santos, in TimeOut Lisboa n.º 27 (2-8 Abril)
terça-feira, abril 01, 2008
segunda-feira, março 31, 2008
o maior desafio
consiste em estarmos sempre a mudar. e em nos surpreendermos. às vezes pela positiva. outras vezes não.
domingo, março 30, 2008
quinta-feira, março 27, 2008
quarta-feira, março 26, 2008
ora vejamos.
adormeço no sofá, quando tentava infrutiferamente ver um episódio de uma qualquer série na tv. sou acordada várias horas depois e pergunto ao meu companheiro, meia estremunhada: amanhã é sábado, não é? ao que ele respode: não, amanhã é quarta. portanto hoje.
conclusão óbvia: as coisas esta semana acalmaram no trabalho, mas o meu cérebro ainda está um pouquito baralhado.
conclusão óbvia: as coisas esta semana acalmaram no trabalho, mas o meu cérebro ainda está um pouquito baralhado.
terça-feira, março 25, 2008
Naquele dia não quis relativizar.
Sabia que, se o fizesse, encontraria alguma desculpa para o insólito da situação. Mas, naquele dia especialmente, não lhe apetecia encontrar atenuantes. Queria simplesmente poder acusar, culpar sem concessões.
Conhecendo-se bem, sabia que no dia seguinte relativizaria de novo. Mas, pelo menos por um dia, queria permitir-se a excentricidade.
segunda-feira, março 24, 2008
domingo, março 23, 2008
Pedra filosofal
Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.
António Gedeão
sábado, março 22, 2008
chego cansada
e sedenta de energia, que as últimas semanas não estiveram para brincadeiras. encontro uma mãe doente e outra mais ou menos. encontro histórias de mesquinhez e coscuvilhices, que me relembram o que menos gosto nas terras pequenas.
eu que vinha a precisar de carregar baterias, fico com a carga ainda mais fraca.
quero voltar para casa. a minha. a nossa. fico com saudades da cidade, daquela que também já considero minha.
o que me sobra... sim, sobra-me, afinal, a alegria dos encontros com muitos meses!
eu que vinha a precisar de carregar baterias, fico com a carga ainda mais fraca.
quero voltar para casa. a minha. a nossa. fico com saudades da cidade, daquela que também já considero minha.
o que me sobra... sim, sobra-me, afinal, a alegria dos encontros com muitos meses!
sexta-feira, março 21, 2008
quinta-feira, março 20, 2008
Demasiado tempo
entre a saída do trabalho e a hora de dormir. Eis o sentimento que se evidencia hoje. Admito que o tempo não seja demasiado, mas antes o termo de comparação deficiente.
Mas hoje. Hoje. Parece-me muito tempo.
quarta-feira, março 19, 2008
terça-feira, março 18, 2008
segunda-feira, março 17, 2008
domingo, março 16, 2008
Des(acordo) ortográfico
Não tenho estado muito a par do que se tem passado neste âmbito, mas tudo indica que teremos acordo ortográfico em vigor dentro de algum tempo. Eu não consigo entender a mudança da língua por decreto. Não percebo de que modo este acordo beneficiará o português, nem como contribuirá para a melhoria na comunicação.
Qualquer língua está constantemente em mudança, e vai sofrendo ligeiras alterações com naturalidade. Mas não se muda através de leis! Não é este acordo que fará com que lusófonos de origens distintas se compreendam melhor. Até porque não é a grafia que mais nos distingue em termos de comunicação.
Irrita-me especialmente que os meus filhos venham a aprender a escrever ação ou ótimo. E que depois ainda me acusem de dar erros. Sim, porque eu não estou a pensar em aderir a este "acordo" assim às primeiras... nem às segundas... nem aos domingos!
Qualquer língua está constantemente em mudança, e vai sofrendo ligeiras alterações com naturalidade. Mas não se muda através de leis! Não é este acordo que fará com que lusófonos de origens distintas se compreendam melhor. Até porque não é a grafia que mais nos distingue em termos de comunicação.
Irrita-me especialmente que os meus filhos venham a aprender a escrever ação ou ótimo. E que depois ainda me acusem de dar erros. Sim, porque eu não estou a pensar em aderir a este "acordo" assim às primeiras... nem às segundas... nem aos domingos!
sábado, março 15, 2008
Este ano, o pessoal da minha colheita
celebra o seu trigésimo aniversário (uma boa colheita, tenho a mania de defender!). Há alguns dias atrás, pela primeira vez, senti um baque provocado por este facto. Não se pode dizer que seja a entrada nos trinta que me perturba, dado que até me parece uma ideia interessante, mas sim o abandono dos vinte. Talvez seja saudosismo antecipado. Ou então é mesmo o sentimento do costume de lamentção pelo que não temos, ou o que perdemos, em vez de nos congratularmos com o que é nosso...
Bem, o que me consola é que, de acordo com a sabedoria popular, os trinta nas mulheres são a sua melhor década. Então... segurem-se, porque eu estou a caminho! :)
Mas tudo isto é afinal porque hoje uma excelente mulher da minha colheita celebra os seus trinta. Parabéns para ela!
Bem, o que me consola é que, de acordo com a sabedoria popular, os trinta nas mulheres são a sua melhor década. Então... segurem-se, porque eu estou a caminho! :)
Mas tudo isto é afinal porque hoje uma excelente mulher da minha colheita celebra os seus trinta. Parabéns para ela!
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