Se eu não me enganei a fazer os cálculos, existem 76 275 360 chaves distintas, possíveis de serem seleccionadas, no jogo do Euromilhões. Calculadora em punho, a probabilidade de uma dessas chaves sair é de 0.00000001311. Estão demasiados zeros à direita da vírgula, para que a leitura do número seja fácil. O mesmo, arredondado à sétima casa decimal, continua a ser zero. Ora, matematicamente comprovado, a probabilidade de acertar no Euromilhões com uma determinada chave é (praticamente) nula. E o facto de preencher o boletim completo não altera significativamente a probabilidade de ganhar.
Sendo esta uma atitude que não tem nada de racional, o que leva, então, as pessoas a jogar?
Pessoalmente acho que um prémio do montante do que está envolvido (que eu nem sei exactamente qual foi esta semana) é... que adjectivo lhe atribuir? ... estapafúrdio (talvez este se adeqúe).
Na próxima semana estarão em jogo 180 Milhões de Euros, montante este que eu não consigo por si só racionalizar. Se fizer as continhas concluo que o montante equivale a 360 apartamentos no valor de 500 000 Euros, ou 720 no valor de 250 000 (50 000 contos, para falar no velho Escudo). Bem, demasiados apartamentos.
Jogar neste jogo revela-se assim uma atitude perfeitamente irracional, não só porque é praticamente impossível as bolinhas mágicas acertarem com uma determinada chave, mas também porque um prémio daquele montante muda completamente a vida dos premiados, tal como eles a conhecem até aí. Tão completamente, que julgo ser demasiado.
Um prémio destes não ajuda, creio antes que complica.
Eu até consigo pensar num conjunto de coisas muito nobres em que aplicar o dinheiro, mas... continuo a achar que é um prémio assustadoramente grande.
Quem sabe se não será devido ao facto das probabilidades serem tão baixas que tanta gente joga. Talvez se estas fossem mais elevadas, o pessoal pensasse duas vezes antes de jogar.
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5 comentários:
Também é curioso constatar que a mesma malta que acredita nas probabilidades de acertar na chave mágica não concebe a hipótese de ter uma congestão depois de mergulhar em água fria 15 min após um lauto repasto. Ou de ser o tal infeliz que viu tarde demais o cão que decidiu atravessar naquela péssima altura a Estrada Nacional onde circulava a 150km/hora.
Ou seja, acreditam nos 0,0000adinfinitum da sorte, mas não nos 0,0qualquer coisa que as estatísticas "azaradas" comprovam como factual.
É giro (o) ser humano...
Tirando a probabilidade (que não sei quantificar) de termos de andar com seguranças privados numa primeira fase, um prémio desse tamanho não me assusta.
Eu jogo e já ficava contente que desse para a despesa que faço, mas nem isso… vale que parte do que gasto vai para a Santa Casa.
Pois é, sharkinho, deve ser por isso que somos um dos países que mais joga, mas também um dos que tem maior sinistralidade nas estradas.
novo, não calculei a probabilidade de ganhar um prémio menor, mas também deve ser um exercício giro (isto para justificar que nem ganhes para a despesa).
Mas, tens razão, ganha a Santa Casa da Misericórdia, e isso parece-me bem.
Infelizmente também assim é, tiago. Quanto a sorte... pelo menos em alguns casos, será certamente.
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